Resumo


 

Este trabalho buscou, fundamentalmente, atingir dois objetivos:

·         relatar os conceitos e teorias sobre inteligência existentes em algumas literaturas e

·         qualificar as capacidades humanas que caracterizam a manifestação inteligente

             

A primeira dificuldade encontrada foi a subjetividade no julgamento. Como não existe uma fórmula exata ou um conceito universalmente aceito, o que é considerado inteligente para algumas pessoas, não é considerado inteligente para outras. Mesmo sendo difícil esta qualificação, é possível afirmar existem diferenças individuais. Na prática, as pessoas são julgadas como mais e menos inteligente. Isto induz concluir a existência de grau de inteligência, mesmo que subjetivo.

           

Estudos de psicólogos do século XIX e XX propuseram a existência de uma inteligência geral (o fator g), como um potencial mental de realização de trabalho intelectual. Essa inteligência é caracterizada pela capacidade de associação e raciocínio lógico entre elementos, usada em toda extensão das atividades humanas. Desta forma, esse fator g norteia as diversas capacidades humanas. As capacidades específicas são inúmeras, sendo as mais aparentes e genéricas as habilidades para cálculos matemáticos, memorização, compreensão verbal, fluência verbal, noções espaciais, etc.

 

A Teoria das Inteligências Múltiplas incluiu, por sua vez, além destas inteligências lógica e  lingüística, as inteligências musical, corporal, intrapessoal e interpessoal. O motivo dessa inclusão é que as primeiras (relacionadas mais tradicionalmente ao intelecto) não explicam satisfatoriamente a diversidade de manifestações inteligentes. Além disso, seu autor usou as origens biológicas de cada capacidade para selecioná-las e agrupá-las.

 

Posteriormente, a Teoria das Inteligência Emocional explicou melhor as inteligências intra e interpessoais, abordando a influência da emoção nas manifestações inteligentes ao mostrar as conseqüências das reações químicas da emoção na racionalidade.

           

Para explicar melhor as diferenças individuais dentro de uma mesma capacidade, foram selecionadas para análise apenas as inteligências mais tradicionais voltadas à academia, ou seja, as capacidades lógicas e lingüísticas.

 

O propósito final de todas as capacidades é a solução de problemas. Não se trata de problemas de provas, mas de situações do cotidiano e profissional onde o indivíduo precisa reunir informações e produzir uma solução ou novo conhecimento. Neste caso, é consenso de qualquer teoria que a inteligência, como resultado final, é a capacidade de lidar com conceitos abstratos, ou seja, lidar com informações mentais, visualizar respostas e praticá-las. Ser for possível resumir, inteligência é a capacidade de resolver problemas utilizando o pensamento abstrato.

 

Iniciou-se a investigação dos subcomponentes das capacidades lógicas e lingüísticas. Nas capacidades intelectuais, o pensamento é a base da manifestação inteligente. O pensamento abstrato é a organização mental de idéias, com suas inferências, deduções, induções, associações, analogias, etc. A inteligência do pensamento abstrato está muito ligada pela competência do raciocínio lógico, envolvendo velocidade e abrangência das informações. Adiciona-se como elemento primordial neste processo a criatividade, importante para a busca de soluções novas.

 

Pode-se dividir a inteligência em duas: a inteligência potencial (do conhecimento armazenado) e a inteligência cinética (do processo de resolução de problemas). Na inteligência potencial são importantes o estudo acadêmico, cultura geral, experiência e a capacidade de memorização. Na inteligência cinética são fatores importantes a capacidade de ação, organização mental e o manuseio de informações de forma rápida, eficiente e produtiva, além da habilidade de buscar informações fora da mente, como livros, amigos, etc.

 

A inteligência final cresce com o aumento da inteligência potencial (profundidade e variedade de conhecimento) e cinética (velocidade, organização mental e capacidade de ação). Neste aspecto intelectual, para explicar as diferenças individuais deve-se conjugar a organização mental e uso do raciocínio abstrato com as diversas capacidades humanas. A inteligência é a competência nesta conjugação para realizar trabalhos importantes ao ser humano.

 

O maior desafio, não resolvido, é quantificar essa competência através de uma simples prova, como pretendem os testes de inteligência. Qualquer teste é fragmentado e avalia uma particularidade da capacidade humana. Entretanto, se deseja-se propositadamente avaliar apenas  uma capacidade que é medida por determinado teste, então o resultado (seja o QI ou outro) serve como um dado a mais no julgamento do indivíduo e pode ser muito útil em determinadas atividades ou profissões.

 

Para terminar a explicação das diferenças individuais, deve-se incluir aspectos não-intelectuais que proporcionam grande impacto no resultado final: o desejo de vencer, a persistência, a força de vontade e outras posturas. Além disso, a competência emocional também interfere no comportamento inteligente.

 

A inteligência plena envolve todas as capacidades cognitivas já listadas, caracterizadas na escala 1 (lógico-lingüística), em consonância com as habilidades da escala 2 (artística, musical, corporal) e da escala 3 (emocional).

 

Uma pessoa com auto grau em apenas uma das escalas pode até ser respeitada e considerada como um indivíduo notável (ou mesmo inteligente), mas com certeza falha no conjunto.

 

A inteligência plena exige balanceamento. Entretanto, balanceamento com um baixo grau nas três escalas também não configura inteligência. Quanto melhor a performance em todas as escalas simultaneamente, mais inteligente a pessoa será e maior seu grau de sucesso.

 

Bem, o sucesso é um conceito bem relativo. Mesmo assim, existe uma correlação positiva entre a inteligência e o sucesso na vida (pessoal, profissional, emocional, financeiro, etc). Sucesso envolve o crescimento pessoal explorando todas as capacidades humanas disponíveis de forma harmônica para gerar realizações, novos conhecimentos e sobretudo, ser um indivíduo pensante.